sábado, 15 de janeiro de 2011

1:45 a.m

Compartimento líquido da aparência enlaça um objeto em comum, 
na segunda linha a direita, quadra A, bloco D... Ápice do desdém.
Na sombra do branco, rabiscos... Edita um perfil, forma tua personalidade.. e em mais uma mistura, 
solidifico meus pensamentos: Conta outra! Eu já sabia.
Na simbologia de um olhar, teu código. Será que fita mais que um “Olá! Tudo bem?”, provavelmente “fico feliz por contar contigo”, nas aparências da realidade... é apenas um olhar que conversa com o meu. Obvio!
Entrego-te duas armas, o que iria fazer? Conversa ou conversar?
 Mas que uma simples metáfora, fisionomia do gelo na quebra de um sorriso: suas palavras.
“Preciso mexer com o que está quieto, mas nem por isso 
significa que preciso ficar com o que estou mexendo”.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Parte 1: A história da bunda [no Brasil]


Das riquezas tupiniquins o Pau-Brasil vingou. Teve lá sua fase de ascensão no mercado e na cobiça dos portugueses. A cana de açúcar durante quase um século adoçou a vida Metrópole lusitana – amargando a dos escravos. O café durante muitos anos reinou absoluto. A borracha gerou prosperidade no Norte. E o ouro, em Minas, brilhou radiante nos olhos da Coroa. Cada riqueza com seu apogeu e declínio. Mas nenhuma dessas brilhou e imperou com tanta majestade como a bunda.

– Sim! A bunda é o ultimo ouro do Brasil! Com status de Patrimônio Publico.

Nem o Imperador dom Pedro I resistiu a sua graça. Enganam –se os que pensam que o Imperador ficou no Brasil por heróico patriotismo, ou por causa de 8mil assinaturas. A verdade – e o Imperador sabia disso, mas tinha vergonha de assumir – é que ele ficou por causa da bunda. Ele pensou:

– “Puta-que-pariu” Tu achas que deixarei esse bundaréu de cabrochas por aquelas cousas murchas lá de Portugal”? E conclui enfático e em bom som: “Pois diga ao povo que fico”

E no longo período colonial, nos navios negreiros que aqui aportavam, desceram as bundas – ou melhor – as negras, bantas e sudanesas com suas respectivas bundas. Desciam com todo ar de sua graça. Nem a Rainha de Portugal, apesar de todo o cortejo, desceu com tamanha realeza. E essa bunda que aqui aportava, exibia uma perfeição formal jamais alcançada pelo mais obstinado escultor grego. Ficou aqui pensando no esforço inútil que os escultores empreendiam para chegar a essa Perfeição. Caprichavam em tudo, nos seios, no busto, mas pecavam no quesito bunda – palavra que eles – coitados! – nem conheciam. Essa palavra – tão gostosa de pronunciar – também na boca do colono e do colonizado (antes, por impropriedade, a chamavam de traseiro, nádegas). E não se cansavam de suplicar por ela:

– Tragam-me uma bunda, que eu quero comer. – E lá vinha a negra suada no meio do canavial.

E assim o cotidiano nas fazendas do Brasil se resumia mais ou menos nessa dinâmica sombria: a cana que a negra amargava no seu trabalho escravo adoçaria o café do sinhozinho que comia a sua bunda. E dessa putaria (ou relação extra-conjugal...) nasceria a cabrocha: fruta mestiça! Morena tropicana!
Não existe pecado do lado de baixo do Equador!, lembra Chico Buarque. Mas os padres – coitados – se contorciam barrocamente entre o profano e o sagrado.
O celibato na Igreja Católica ficou comprometido: acontece que as freiras com sangue europeu, com o passar das gerações, incorporaram as suas formas das negras, de tal modo que ficou cada vez mais difícil esconder, sob suas vestes, o seu antigo traseiro. Traseiro que evoluiu para bunda: coisa protuberante, larga, deliciosamente sinuosa sob o tecido, tentação para os nossos sacerdotes que queimavam dentro de suas batinas. Imagine tudo isso somando ao calor natural do Brasil. Muitos não resistem e deram de ombros com o celibato – adeus castidade! Adeus Santidade! E tome-lhe na bunda das freiras!
Mas tarde ,nos anos de Chumbo, da década de 70, muita bunda deixou as ensolaradas praias brasileiras e desceram aos escuros porões do Regime. O General, safadão, gritava aos soldados:

– tragam-me aqui aquela comunista bunda. Vou dá um trato nela!

De lá pra cá alguma coisa mudou na Republica. E as bundas – homéricas! – continuam a ocupar todo espaço. O território brasileiro,  principalmente no litoral, está dominado por elas. Hoje em dia, tornou-se impossível cruzar numa banca por todos os lados. Tantas que não poupam nem a nossa imaginação, nem aos santos! Manuel Bandeira no seu poema “Irene no Céu” deixou uma duvida. Dizia ele:

“Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor

Imagina Irene entrando no céu
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonanchão:
- Entre, Irene. Você não precisa pedir licença.”

Por que São Pedro concedeu licença a Irene? É por ela ser boa? Pelo bom humor? Por ele ser bonachão? Por que será?
Calor Drummond de Andrade também não poderia esquecê-la. Dizem as más línguas que o poeta era tarado por uma:

“A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.”
“Não lhe importa o que vai
Pela frente do corpo. A bunda basta-se.”
“Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
Na  carícia de ser e balançar
Esferas harmônicas sobre o caos.”

Acho que não precisa dizer mais nada sobre o gosto do poeta. O poema basta-se. Mas a verdade é que a bunda se aclimatou bem nos trópicos. E são bronzeadas na praia, sobem o Pelourinho na Bahia, dançam Axé, ocupam as cadeiras de nossas repartições publicas em Brasília, ocupam as capas de revistas, se acabam nos bailes Funk’s, e no Rio podem ser confundidas com o Corcovado.
Mas o grande salto da bunda foi na década de 90. Uns filhos-de-uma-mãe descobriram nela um comercio lucrativo. Incorporam-na a musica brasileira, e desde a década de 90 tem monopolizado a temática da musica, que nos anos 90 só fala de bunda e bunda! Era bunda pra cá, era bunda rebolando até o chão, na boquinha da garrafa. Era tanta bunda, mas tanta bunda, que a década de 90 vai ficar registrada nos anais da historia como período da bundalização da musica popular brasileira. E aqui vale uma confissão: isso encheu o saco!
Ao contratio do que dizem alguns moralistas de plantão, não foi a bunda quem banalizou a musica brasileira. E quando digo musica estou me referindo os sacanas que comamdam as industrias fonográficas deste país. Aproveitaram-se da nossa franqueza pela bunda e lucraram em cima dela. E como lucraram! E tudo isso acaba por embestializar o imaginário do gomem brasileiro, que sabe fazer outra coisa senão pensar em bunda.
Perdoem-me por mudar o tom dessa crônica. Crônica que corria tranqüila, sem preocupações, ao doce sabor de uma bunda. Mas acontece que há preocupações, problemas, e não posso ficar aqui me embestializando por elas, que há muito problema histórico sendo ignorado atrás de tanto carnaval. E as mulheres brasileiras, onde ficam no meio de tanta bunda? Ficarão sempre ofuscadas pelas belezas que carregam no traseiro?
Eu queria fecha a crônica entusiasmado, bem feliz, cantando ao som de Benjor, dizendo orgulhosamente que “moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. Mas acontece que hoje não, dá seria mentira.
Sim, eu sei que a bunda é bonita. Mas porra: haja saco pra tanta bunda!


Alex Canuto de Melo (in: recanto das letras)

Parte 2: A história da bunda

me diz se não é... quase um pornô!



As cenas a seguir são fortes! Caso não tenha plano de saúde: Favor tire as crianças da sala, velhinhos com problemas respiratórios e cardíacos. Você sofrerá graves riscos de ter um ataque fulminante... [uma super produção!]

Ps: prestem atenção na cantora...



 Deleitem-se com a evolução do forró!!! Se assim posso dizer... lol

sábado, 8 de janeiro de 2011

Crash!




..em forma abstrata, eco de silêncio. Curvas do sarcasmo... A noite é uma órfã a espera de colo...
- me adota?
 Luzes no alto anunciam: Gritos ao blues... Gim sussurra curtir, Rum contato físico... Sóbrio? Talvez...
Passos cego, a lucidez perde caminho ao neon de mais uma música: 
Tu veux voler... Au bord du désir?¹

Ao toque... doiss corpos;
Na pele, o suor abre caminho a mais um beijo. Na falta de ar, 
na perca dos sentidos, as cores formam uma só massa... 
Newton me perdoe, mas meu corpo era um só
Ainda é noite... E então?:Je sais que tu em veux² 
  Mais est-ce que tu mérites mon amour?³


TRADUÇÃO: 
Você quer voar à bordo do desejo?¹
Eu sei que você me quer²
Mas você merece meu amor?³

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Literatura piauiense

                      Cogito  
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível


eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora 

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

                         (Torquato Neto)



Torquato
Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina (PI), no dia 09 de novembro de 1944. Foi contemporâneo de Gilberto Gil  no colégio em que estudou, em Salvador, tornando-se amigo do compositor e conhecendo também os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia.
Em 1966 mudou-se para o Rio de Janeiro, começando seus estudos de Jornalismo. Mesmo sem ter concluído o curso, iniciou-se na profissão trabalhando em diversos jornais cariocas, tendo criado e redigido a coluna "Geleia Geral" no jornal carioca "Última Hora". Um dos criadores do movimento tropicalista, é o autor de inúmeras letras de músicas de sucesso, entre as quais destacamos "Mamãe, Coragem", "Geléia Geral", "Domingou", "Louvação", "Pra dizer adeus", "Rancho da rosa encarnada" e "Marginália II".

Em 10 de novembro de 1972, suicidou-se deixando o seguinte bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar".

Em 1973, ocorreu a publicação póstuma de seu livro "Os Últimos Dias de Paupéria", organizado por Ana Maria Silva Duarte e Waly Salomão. Três anos depois, alguns de seus poemas foram incluídos na antologia "26 Poetas Hoje", organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Em 1997, foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe "Nothing the Sun Could Not Explain", organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher.

O poema acima foi publicado no livro "Os Últimos Dias de Paupéria", Max Limonad - Rio de Janeiro, 1973, e  selecionado por Ítalo Moriconi para figurar no livro "Os cem melhores poemas brasileiros do século", Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 269.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

recomeçar


Simples atitude, corte em palavras, fragmento na poesia. Os dias renovam o espírito e, talvez a consciência, de marcas na areia... Simples grãos do passado. Fortes serão os passos e intenso a formação de lembranças.
... Há sempre uma certeza: você tem que crescer.

goes around




Escrevi-me uma carta. E me diz: Te odeio!!!  ...Nas aparências da ira, sementes.
Faz-me três melodias. Em pequenas batidas: arritmia cardíaca
Segue meus passos... Mas não cubra seu rastro em minhas marcas: desejo
Descobri meu sonho e transforma minha realidade. 
Seja o prazer, transpire o signo do eu... Adote minha verdade, me envolve... 
...Caminhos opostos a dor: excitação

só de passagem...

 
 
Deixa me descrever tua lindeza
Hiperbolicamente fenomenal
Divina metafísica proeza
Meu padrão de beleza universal
A estética do seu interior
Simetricamente proporcional
Ao teu sorriso que me cura a dor
A incoerência poético-formal
Se você pudesse se enxergar com meu olhar
Você não diria que é exagero meu
Só pode ser charme, quilinhos menos, metros a mais
Na lei áurea do meu amor, não há o que tirar nem pôr
Na medida exata amém, estilo Deus sempre vai além
Da minha imaginação, melhor que qualquer ficção
Fluir você pra mim é uma surpresa
Não sei se eu tenho tato pra perceber
Obra-prima requer tempo e sutileza
Carinho e atenção pra se entender
Será que é sonho, será que é real?
Que medo que eu tenho de não ser
Coragem, fé, trabalho, ideal
Vou aprender com quem criou você