terça-feira, 17 de abril de 2012

Ensaio sobre a Revolução Russa

Baseado na produção fílmica de Jhon Stephenson,
 da obra de George Orwell , "A revolução dos Bichos".
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                    Há uma complexidade na História, quando se tende compreender as mudanças de uma sociedade, de um fato, de uma abreviação do tempo com suas singularidades, consideradas até exíguas em uma primeira observação.  Mudanças, continuidades, rupturas, ou hibridismo das causas?  O certo, é que na organização os eventos sociais, econômicos, culturais e políticos, é que irão ser intercaladas as linhas discursivas, problemáticas em diferentes representatividades. O que pensar então sobre a Revolução Russa?
                   A Revolução dos Bolcheviques é um dos melhores exemplos de lutas de classe. Não por ser única, mas pelo caráter ideológico, que versava os tons anarquistas por rupturas e remodelação social, durante o inicio do século XX, contra a politica de luxo e ostentação dos mencheviques. Onde a população figurava em um quadro social de extremas desigualdades, déficit em uma economia essencialmente agrária, além da forte verticalização entre os sujeitos, que desencadeavam por vez os frutos da fome e miséria, já que o fator monetário deslizava entre os dedos, ou particularmente não existia entre os habitantes. Era preciso mudar esse panorama, tingir com novas cores a sociedade – e a revolução é a chave para abrir as trancas da opressão –, fazendo insurgir sobre as ruinas a esperança de um novo tempo.
                   Esperança pode ser uma das primeiras considerações sobre a luta de classe do proletário contra a burguesia. Esse idealismo propunha mudanças imediatas, onde sua gênese ordinária é até coberta de excessos românticos. Em meio o doce dos desejos e expectativas gerais, havia contradições, que apareceram concomitantemente após a instauração do novo regime. Era assinalado o fim da monarquia dos mencheviques e iniciado a revolução socialista do proletariado, ao menos em tese.
                   A obra de George Orwell, A Revolução dos Bichos, reflete particularmente de maneira irônica a alegoria corruptiva no poder na União Soviética. Considerado um best-seller, a obra narra a historia de uma insurgência dos bichos contra o fazendeiro, motivada por uma ação repulsiva da crueldade, frieza, exploração por parte do proprietário. Havia uma insatisfação generalizada sobre o tratamento dados aos animais, tidos como meros objetos com prazo de validade. Entendemos isso quando pensado a sua vida útil, servindo inicialmente como motor produtivo, trocando sua força de trabalho por uma alimentação rasa e miserável, e posteriormente visto como objeto descartável, quando as utilidades de seus serviços não suprem mais a expectativa.          
                   Antes da tomada de poder pelo proletário, é necessário enfatizar a corrida em espécie de suas ideias. Havia um objetivo: derrubar a monarquia. E para isso, era preciso disseminar entre a população a chagas da revolução. Conscientiza-la de sua importância no papel produtivo, enfatizar, promover, dar maior visibilidade as injurias agenciadas pela burguesia, e ser claro enquanto os fins do movimento.
                   As mudanças vêm sempre cobertas por uma nuvem negra e, a substituição de um regime politico por outro não foi diferente. É comum surgirem dúvida enquanto a transitoriedade se trará de fato as transformações e, quais os rumos a seguir. Cria-se uma utopia e o desenho de uma sociedade ideal: livre, tolerante, onde o poder seria exercido de maneira coletiva, justapondo-se a interesses para o bem maior da comunidade. As teses de Abril de Lênin são um bom exemplo disso, os quais mostrama grosso modo, as bases fundamentais do socialismo.
                   Em um movimento aproximativo, na obra de Orwell o socialismo seria fundamentado no principio do “animalismo”, regida por sete mandamentos. E nelas, ficam observações de igualdade entre todos os bichos, onde os mesmos devem manter postura sólida para si e por si, em não imitar, copiar ou agir como os humanos. Negando vícios e comportamentos repugnantes que tendem a memorar antigas frustações, já que o homem é tido como a raiz de todo problema e pesadelo.
                   A produção fílmica de Jhon Stephenson, da obra de George Orwell, apresenta uma fala inicial bem sugestiva, que conduz o pensamento a conclusões reveladoras a cerca da revolução Russa, onde “tudo que é construído em bases erradas tende a ruir”.  Nada mais contemplativo. Existem forças sociais, em diferentes direções, sejam de caráter externo ou interno. É de praxe avaliar uma politica que desvirtue as bases de sustentação como fracassada. Não é preciso alongar maiores entendimentos. A chegada do bolcheviques no poder seria o alarde para manter a política proletário. De fato, os primeiros passos corriam por um horizonte almejado antes da queda da monarquia. No entanto, a ambição, a politica das facilidades, e o fechar de olhas as iniciativas primarias seguem a uma verdadeira espoliação moral a população.
                   Há nessa modificação o aparecimento dos primeiros nós. O que podemos avaliar é a mutação de certos princípios, ou reformulações das mesmas, em um caráter mais enérgico, ríspido e antidemocráticos. Lembrando um pouco as cenas da Revolução dos Bichos, é fácil perceber isso, quando de uma hora pra outra, se altera as diretrizes do animalismo, postas nos sete mandamentos. Os bichos escolhidos para formar uma liderança e guiar os demais animais a uma estabilidade social, acabam encantados com os atrativos que a vida dos homens oferece. Adotando por vez hábitose aos poucos toda a depressão de um sistema, anteriormente condenável: a exploração. De modo geral, os nós são considerações que margeiam o totalitarismo.
                   O Estado atrofia sua base, adotando de vez a linha dura. No entanto, isso é seguida por um perspicaz jogo. Iniciada pela propaganda politica, que mede as condutas, e faz dos corpos algo manipulável e ideal, isto é, polida aos “anseios” dos dirigentes. Em seguida temos a simbologia da imagem, figurada na representação do líder, seja em cartazes, ou monumentos históricos. Outro passo é a fragmentação do papel da massa, tida como débil, sem organicidade e poder de articulação. E por fim, a adoção da violência como forma de coesão, justificável para manter a ordem e integridade civil.
                   A jogatina politica acaba por hibridizar-se em um ultimo estagio. De fato, a simbiose, as linhas contrárias que antigamente abririam uma cisão entre os grupos, intercalam, se complementam e dialogam em um mesmo tom. Em prol as mudanças há novamente a musiquinha amarga da escatologia histórica, e o tingimento binário da ruina.
                    A narrativa de George Orwell bem mais que uma projeção de seu tempo, das experiências e perspectivas nulas com os rumos da União Soviética, é uma obra que permite criar um canal de esperança, em meio a podridão orquestrada por dirigentes egoístas e autoritários. Apesar das frustações, das dores e o amargo das sensibilidades, é necessário criar um corpo que anseia por dias melhores.

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