ALMOÇO NU, William S. Burroughs
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| Mural, Dragão do Mar - Fortaleza, CE (imagem: arquivo pessoal) |
Um convite indigesto. Pode ser essa uma das primeiras impressões de Almoço Nu. É melhor deixar as aparências e cair na realidade. O convite é mais que direto, é um verdadeiro assedio a moralidade. Aquela, a que fingimos diariamente possuir.
O que poderia ser mais uma conto abordando o tema das drogas, ganhar uma pulsação incrível, uma narrativa excitante, com jogos linguísticos. As cenas não tem coerência, são encadeadas, reduzidas a estórias, uma espécie de memória, ações figurativas que veem a mente do autor. Narrador? Personagem? Ou Observador? É intrigante esse tipo de observação. Há uma pluralidade na narrativa, que desfalece até a necessidade de uma compreensão singular. Você acaba entorpecido pelas palavras, senti no corpo as sensações de um viciado. É injetado pelas impressões pendulares dos fatos, dos recortes atemporais das palavras, enquanto submerge da realidade para o mundo das drogas, ou será das letras?
Um trabalho rico a luz do movimento beat nos EUA, durante a década de 50. Um livro para se pensar o período marcado por crises, oscilações econômicas e estatais. Tem-se em mãos a formulação de novos conceitos, boas reflexas do que é liberdade – uma dicotomia reciclada a cada curva social do homem.
Sem duvidas um grande avança nas chamadas literárias, uma ousadia que atormenta os mais conservadores. É bem intuitivo o gosto amargo na boca, os sabores são diversos! Não espere uma leitura agradável, são observações um tanto hipócritas de Burroughs. Conclusões a parti, é melhor se elucidar com os olhares turvos da subjetividade.
texto:
Thiago Venicius de Sousa*
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