O essencial da vida é sem duvidas a informação. É a partir dela que você consegue, através de uma constante atividade mental, mapear certas asserções sobre o mundo. Bem mais do que isso, temos o dever de refletir as transformações sempre com um olhar clínico, levantando sempre os porquês, de uma historia tida como factual ser assim. Nesse momento temos no cinema documentário a palavra chave que vai provocar um longo discurso sobre os significados e as impressões que encadeiam o imaginário das pessoas sobre a vida real.Por muito tempo o documentário foi visto como um produto embalado com os códigos de verdade. Entendemos por isso, as produções cinematográficas que eram simples falácias, no sentido de promoverem uma reprodução assertivas de imagens e códigos sobre a realidade, encabeça de forma fraudulenta por alguns cineastas, à medida que promovia um dialogo singularizado com o expectador, ao entender essas representações como uma produção-verdade.Até meados da década de 50 do século XX, é perceptível um estilo clássico que definia o cinema documentário: “a voz over ou voz de Deus”[1]. A locução fora-de-campo era caracterizada por uma voz que anunciava, provocando uma narrativa que tentava tomar conta de um roteiro, delineando as asserções sobre determinado tema. As cenas tornam-se automática, no momento em que a imponência do locutor direciona as ações, desenhando de forma parcial uma dinâmica.Uma década depois, é notável a evolução de técnicas de filmagem, e uma modificação significativa no seu artesanato, “com o aparecimento da estética do cinema direto/ verdade, o documentário mais autoral passa a enunciar por asserções dialógicas”[2]. Um verdadeiro leque se abre na construção dos sentidos, e a colocação de falas, a criação de personagens, ajuda a montar um novo amalgama que cria maior dinâmica e flexibilidade nos timbres dos sujeitos, que tendem a falar do mundo, ou de si.As transformações sociais contemporâneas são tão intensas, que por vezes é preciso reinventar diariamente os sentidos de existência. É fácil ouvir a sonorização das crises da alma, de que “tem sempre algo morrendo e nascendo no peito”. Nada mais trivial ao estar de um egocêntrico. Quem dirá no cinema documentário? Existe em seu corpo uma constante que forma sessões de escatologia, onde há uma necessidade de mapear seu lugar social, assim como a criação de um perfil que tende a ser remodelado nos conceitos de circularidade, a fim de se firmar uma identidade no viés de uma pluralidade linguístico-interpretativo.Ao pensarmos sobre a ficção nos documentários, transportamos os sentidos a cenas de entretenimento. Imagens, sons e movimento acabam por resumir as produções a mercadorias sem nenhum fundo qualitativo e, que não são capazes de acrescentar informações úteis ao espectador. Uma lógica que por um bom tempo cristalizou o imaginário de muitas pessoas. Mas é preciso problematizar esse objeto ficcional, a fim de filtrar, de uma primeira aparência, signos que permaneceram ocultos as margens de um mero entretenimento.É fatigante fica em certo arrodeio para entender a veracidade sobre um documentário, sendo que as “verdades ficcionais” são relativas e, as fronteiras vão além de do entendimento, por serem intrínsecas. “Um documentário pode certamente mostrar algo que não é real e continuar a ser documentário” [3]. Um ponto intrigante em toda essa questão é a ética, quando você tem um compromisso com a exatidão, no momento em que é exigida uma habilitação pessoal em reconstitui e interpreta um fato.Quando estamos assistindo um filme, independente do gênero, acabamos por mergulhar em um caminho, muitas vezes sem volta. Não atentamos por uma ação fatalista, as coisas podem ser bem mais simples quando se deseja. Mas colocamos uma ótica sobre a dinâmica que nos prende, onde somos os verdadeiros mestres da adivinhação, e o deleite maior se fixa quando somos postos a surpresas, ou será aos velhos truques de impressão? No curta “O Sanduiche”, produzido por Jorge Furtado no ano 2000, encontramos um bom exemplo para essa ideia.A estética do curta é designada como um encadeamento. As imagens são aleatórias, e o espectador acaba por criar uma expectativa “obvia” em relação às cenas. Mas tomba por varias vezes na “falsificação” da verdade por parte do documentarista. Não há por que se alarmar nesse momento. O interessante do curta de Jorge Furtado é o significado que dar a ficção ao trabalhar a promoção da verdade (no jogo de impressões/ quebra), formando um canal que discuti a realidade da manipulação assertiva do documentário. O ponto alto se dar “quando o fim de alguma coisa pode ser o começo de outra”[4].
NOTAS[1] RAMOS, Fernão Pessoa. Mas afinal... o que é mesmo documentário? – São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008. p.23[2] RAMOS, Fernão Pessoa. Op. Cit. p23[3] RAMOS, Fernão Pessoa. Op. Cit.p.30
[4] Disponível em http://www.casacinepoa.com.br/os-filmes/produ%C3%A7%C3%A3o/curtas/o-sandu%C3%ADche acessado 03/11/ 2011 as 19:37’.
*trabalho de História e Cinema
THIAGO VENICIUS DE SOUSA
GRADUANDO BACHARELADO EM HISTÓRIA - UFPI

Nenhum comentário:
Postar um comentário