| Mural, Dragão do Mar. Fortaleza- CE (imagem: arquivo pessoal) |
O que pensar de uma placa de boas vindas, de uma pequena cidade do interior cearense, “Bem vindo a Várzea Alegre, terra do Padre Vieira protetor do jumento”? Para alguns pode ser estranho, incomum, um tanto singular ou simplesmente patético. O que torna por vez irredutível de significados, encontra sua lógica no imaginário dos sujeitos que vivenciam essa realidade.Luiz Gonzaga é tido como um dos maiores símbolos da música nordestina. Suas cifras perpassam a fome e práticas de vida de um povo simples, que luta e tenta sobreviver os causos de uma vida miserável no sertão. Em sua música, “Apologia ao jumento”, é possível entender um pouco da importância dada a Padre Vieira na defesa do pobre animal. E bem mais do que isso evidenciar uma cultura, que passa despercebida a ótica do preconceito.No mundo contemporâneo as cidades contrastam significativamente e, a percepção fundamental se dar nas conjunturas e estruturas politicas, econômicas e sociais. Por vez, o que se qualifica é certa heterogeneidade do pensamento nas grandes cidades e uma homogeneidade das ideias nas pequenas. O que proe-se nesse dialogo, é uma reflexão sobre os choques culturais e um processo de relativização do mesmo, que acabam por individualizar as categorias sociais e caracterizar as mentalidades de forma mais ampla.As pichações nas cidades metropolitanas podem ser consumidas como um estranhamento e também como um valor, que encontra sua lógica, a um grito sobre o processo de urbanização. A massificação de pessoas, a eterna escatologia das ideias, tende a sobrepor novos padrões de vida a antigos valores. O que seria de mais específico nos traços que delineiam muros, postes e em última instância que destroem patrimônios públicos? Arte ou inconsequência? Em Fortaleza, capital do Ceará, é tangível essa percepção. Existem locais inimagináveis com pichações, e a resposta dos possíveis porquês, dada pela população local, é simples: ação de facções que tendem a legitimar-se e mapear espaços com seus signos.O que implicaria o estranhamento? Nada mais que o modo como é manipulado cada cultura, deixando de lado as ordens que verticalizam as excentricidades. “Sabemos que nenhuma sociedade é efetivamente simples ou homogenia. Mesmo nas de menor escala, encontra-se alguma diferenciação, seja de natureza sociológica, seja a nível dos universos simbólicos” (VELHO, 2003 p.44).
REFERÊNCIA
VELHO, Gilberto. Individualismo e cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999.
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